A maconha é uma velha conhecida da humanidade.
Aparece no Pen Tsóo Ching,
texto medicinal de origem chinesa e considerado
o mais antigo do gênero no mundo
(6.000 anos), onde era indicada para asma, cólicas
menstruais e inflamações da
pele. Ao que tudo indica, também fazia
parte do herbário do Imperador chinês Nung,
há quase 5.000 anos. Outro tratado chinês
de 2.000 anos indicava seu uso como
anestésico em cirurgias. Já na
medicina indiana, a maconha é recomendada como
hipnótico, analgésico e espamolítico.
A fama da maconha como medicamento, nos
meados do II milênio da era cristã,
ganhou também o Oriente Médio. Assim, talvez
devido à proscrição do álcool
pelo Alcorão, o uso da maconha era muito difundido
pelos muçulmanos, inclusive como medicamento.
Nos Estados Unidos, a planta
ganhou consideração como medicamento.
Figurava em vários livros terapêuticos e
era mencionada em revistas médicas e na
própria farmacopéia americana. O Dr.
Froonmuller, médico realmente entusiasta
das propriedades hipnóticas da maconha,
após utilizá-la em mais de dez
mil pacientes, escreveu em 1860: "De todos os
anestésicos existentes, a maconha é
aquele que produz um narcotismo mais próximo
do sono natural, sem causar qualquer excitação
extraordinária dos vasos, ou
qualquer suspensão das secreções,
e onde não há o medo de reações perigosas ou
paralisia consecutiva." Na verdade, somente a
partir de 1964 a comunidade científica
começou a estudar a maconha de uma forma
mais séria. Neste ano foi extraído da
maconha o seu princípio ativo, o THC,
pelo pesquisador Raphael Mechoulan, da
Universidade de Tel Aviv. Nos dias de hoje, ainda
fortemente cercada por mitos e
incertezas, o fato é que se sabe muito
pouco sobre a Maconha.